ENTREVISTA COM OLE BANG (EMPRESÁRIO DE KING DIAMOND)
Exclusiva para o fã-clube
Confira abaixo esta entrevista exclusiva, de Janeiro de 2007, feita para o fã-clube, com o empresário Ole Bang, que está com King Diamond desde o início da carreira!
Por Silvio MercyDiamond
Tradução por Ghislaine Gemignani
Silvio MercyDiamond: Quando você se deu conta de sua profissão?
Ole Bang: Foi um processo natural, enquanto eu trabalhava com a banda. Silvio: Qual foi a primeira banda com a qual você trabalhou?
Ole: Foi com o Brats, que depois virou o Mercyful Fate. Silvio: Conte-nos como foi seu primeiro encontro com o Mercyful Fate.
Ole: Bem, foi quando a banda ainda se chamava Brats, como eu já disse. Eu estava fazendo fotos do Judas Priest, num show na Alemanha e conheci Hank (Shermann) no caminho de volta à Dinamarca. Ele me pediu pra fazer algumas fotos de sua banda, e assim nos tornamos amigos. Depois a banda decidiu escolher um novo vocalista, King fez o teste, e conseguiu o trabalho... pouco depois eles trocaram mais músicos e se desenvolveu o Mercyful Fate. Silvio: Qual foi a sua primeira impressão da banda?
Ole: Caras legais e Metal maravilhoso. Silvio: Como foi para a banda encontrar seu próprio estilo, visto que naquela época havia várias bandas ótimas como Accept, Manowar, etc?
Ole: Não foi tão difícil. As influências musicais da banda eram Judas Priest e Michael Schenker, e na questão lírica era Alice Cooper. Metal e horror. Silvio: Conte-nos sobre o primeiro show.
Ole: Não teve nada de especial. Foi num salão pequeno da comunidade local, com talvez umas 100 pessoas. Aconteceu na Dinamarca, quando a banda tinha uns dois ou três anos. Silvio: Sabemos que você foi o primeiro fotógrafo da banda. Você nunca pensou em lançar um livro com este material? Deve ter muita coisa que não tenha sido sequer publicada.
Ole: Eu tenho as fotos, mas não tenho nenhum plano para lançá-las. Não tenho material o bastante para um livro, e seria divertido somente para os fãs mais assíduos. Talvez se alguém escrevesse uma biografia, seria interessante incluí-las. Silvio: Como foi a participação da banda naquela compilação "Metallic Storm", na primavera de 1982?
Ole: Foi uma sessão rápida de gravação. Somente dois dias para gravar duas músicas, sendo que só uma foi para o álbum. Pelo que me lembro, o Michael Denner não participou desta gravação, foi substituído por um guitarrista dinamarquês. Silvio: E o que você pode nos contar sobre o primeiro álbum, antes do maravilhoso "Melissa"?
Ole: O primeiro álbum foi o mini álbum. Continua sendo um dos melhores trabalhos da banda na minha opinião, talvez porque eu estive lá. Foi uma viagem longa e cheia de problemas, ir da Dinamarca até a Holanda para a gravação. A banda tinha pouquíssimo tempo disponível no estúdio e não tinha dormido direito. Muita pressão pelo pouco tempo em terminar a gravação, mas tornou-se uma brilhante afirmação do que a banda era capaz de fazer. Silvio: Quando o conceito do álbum foi criado? Conte-nos também sobre a concepção do palco que vocês usaram durante a turnê americana The Oath.
Ole: Bom, depois do mini álbum veio a gravação do "Melissa". Aconteceu com a Roadrunner, uma gravadora nova, com um claro perfil de Rock e Metal. O álbum foi gravado na Dinamarca, com um orçamento melhor e com mais tempo. O seguinte foi "Don't Break The Oath", também com a Roadrunner, também com a mesma qualidade e com uma capa brilhante, foi uma grande afirmação no círculo musical, na imprensa, e entre os fãs, claro. Foi quando tivemos a oportunidade de ir à América pela primeira vez. Naquele tempo não era fácil como agora, onde toda banda vai para a América. Era algo grandioso, e o Mercyful Fate era uma banda meio underground. Quando estávamos na Dinamarca trabalhando em fazer um produção de palco apropriada, decidimos levá-la para os EUA, para darmos valor ao dinheiro do ingresso pago pelos fãs. O cenário do palco era mais ou menos do tamanho de duas casas, construído em madeira maciça. Era ótimo, mas de difícil transporte, ocupava muito espaço e pesava muito. Usamos também um elevador hidráulico para levantar uma cruz enorme, com a freira presa a ela. Isto foi proibido logo depois. Pela razão de ser muito perigoso usar o propano (gás incolor, inflamável à pressão e temperatura ambientes) para alimentar as chamas, e pela razão dos moralistas americanos não gostarem da visão de uma "freira" seminua numa cruz. Contudo, o palco foi utilizado em muitas apresentações, mesmo depois do primeiro mês de turnê ter acabado e começarmos outro mês como banda de abertura para o Motorhead. Silvio: Depois da turnê a banda acabou e a banda King Diamond foi criada. Em algum momento você se sentiu dividido? De um lado Hank, com sua mente no Glam e no Hard Rock, e do outro King, com suas idéias malignas e macabras.
Ole: Não - não muito. King e eu planejamos isto por um tempo. Na verdade, fizemos o último show com o Mercyful Fate na Dinamarca, e, no caminho para o show anunciei à imprensa a separação da banda. King e eu combinamos dele falar com Timi e Michael e perguntar se eles queriam continuar no "King Diamond". King já tinha alguma coisa composta - tínhamos um planejamento bem claro. Foi muito simples: King e Hank não se acertavam quanto à música que deveriam fazer, e eu concordei com o caminho que King queria seguir. Silvio: Como os músicos foram escolhidos? O que você pode dizer sobre Floyd Konstantin? Porque ele não ficou na banda?
Ole: Acho que King já sabia quem ele queria na banda, mas não me lembro muito bem. Lembro que Floyd era um cara legal, mas ele não estava muito preparado pra ir pro estúdio, e King queria somente músicos sérios, então ele foi mandado pra casa bem rápido. Silvio: E como você conheceu Andy e Mikkey?
Ole: Quando Andy entrou na banda. Mikkey o conhecia, e perguntou se ele queria ir à Copenhagen. Andy foi direto pro estúdio e gravou. Mikkey já estava contratado desde o início. Ele tocava num banda dinamarquesa e ficava bastante tempo em Copenhagen. Na verdade nós sabotamos o show desta banda, pro Mikkey ficar insatisfeito nela, e então perguntamos se ele queria entrar pro "King Diamond". Silvio: Porque vocês demoraram tanto para fazer a primeira turnê sul-americana e porque vocês tocaram no Monsters of Rock à luz do dia?!? Eu estava lá e vi King morrendo e com a maquiagem derretendo!!! Odiei a organização, porque depois de King Diamond e Mercyful Fate tive que assistir o terrível Helloween e a grande merda brasileira da época: Raimundos. Foi um insulto, um desrespeito!!!
Ole: Bem, na verdade foi muito simples. Viemos quando fomos convidados. Nenhum promotor tinha nos convidado antes. E falaram para nós tocarmos naquele horário. Não podíamos fazer nada a respeito. Silvio: Quando e por que as duas bandas decidiram juntar as forças e fazer uma turnê juntas?
Ole: Não me lembro quando foi que decidimos fazer isto pela primeira vez. Talvez tenha sido para o Monsters Of Rock. Esta foi a oferta; mande as duas bandas. Foi um set curto para cada banda, então para o King foi como um set normal com uma pequena pausa pra trocar a maquiagem. Depois fizemos uma turnê completa com as duas bandas pela Europa, e ficou claro que era bem puxado para a voz de King cantar dois shows completos. Então decidimos não fazer mais isso depois desta turnê européia. Silvio: Porque os fãs sul americanos nunca tiveram a chance de comprar merchardising oficial nos shows?
Ole: O problema é: 1) as restrições para importação. Teríamos que pagar uma taxa alta numa camiseta fabricada na Alemanha, importando-a para o Brasil, e: 2) o próprio custo. Camisetas feitas na Europa são caras. E é custoso transportá-la (sobrecarga no vôo é muito caro) e é muito mais barato comprar uma camiseta na América do Sul. De qualquer forma, no Monsters of Rock tinha merchandising oficial à venda. Uma empresa britânica (provavelmente sob a Sanctuary e dirigida pelos empresários do Iron Maiden) tinha licença para vender camisetas oficiais do King Diamond e Mercyful Fate. Silvio: Qual foi a situação mais problemática que você teve que enfrentar em alguma turnê do King Diamond ou Mercyful Fate, sendo o empresário das bandas?
Ole: É sempre desagradável ter que cancelar um show, mas atualmente não existem problemas que eu não consiga encarar. Em 1984 nos estávamos basicamente falidos na nossa turnê americana, e a companhia aérea de repente abre falência também, então não tínhamos dinheiro, e nem passagens para voltar. Estávamos muito perto de pedir dinheiro emprestado ao consulado para comprar novas passagens - aqueles dias, definitivamente, não foram felizes. Entretanto encontramos uma saída, mas foi uma experiência complicada em nossa primeira turnê de verdade. Silvio: Você sabe que os fãs americanos são bem loucos. Você se lembra se alguma vez encarou alguma situação esquisita envolvendo-os?
Ole: Uma situação bem desagradável aconteceu (acredito que no Chile) quando o público não era polido o suficiente para manter certa distância quando King chegava ao local do show, ao invés disso avançaram pulando as cercas e os poucos seguranças. O mesmo aconteceu numa sessão de autógrafos uma loja em São Paulo. Era bem irritante estar cercado por 200 pessoas, impossibilitado de andar ou mover-se em qualquer direção. Isto também aconteceu em um estacionamento em Atenas, na Grécia; e foram necessárias precauções de segurança mais drásticas. Silvio: Qual sua opinião sobre Satanismo e Horror? Você sabe que o Mercyful Fate é um grande ícone para o Black Metal? Qual sua opinião sobre toda essa besteira envolvendo o Inner Circle, e agora a MLO, o renascimento do Inner Circle, mas muito mais radical, nazi e doente... mais perigoso que nunca, este movimento está crescendo cada dia mais! Você já ouviu falar sobre ele?
Ole: Nunca ouvi falar. O horror do show do King é puro entretenimento. Silvio: Qual é o método para escolher membros para o Mercyful Fate e King Diamond?
Ole: Muito simples. King decide se quer aquela pessoa na banda, baseando-se obviamente nas habilidades musicais e personalidade dela. Silvio: A última vez que te vi foi na Itália, durante a ultima turnê em Cincios Firenze (26/05/2006), no Music Club Milano. Eu estava lá! Aquele show foi incrível! Acho que vi algumas câmeras lá... se o show foi gravado, há alguma possibilidade de lançá-lo em DVD?
Ole: Não foi nenhuma gravação profissional. Provavelmente algum membro da banda que pediu que alguém do staff gravasse pra ele. Não há planos de lançarmos nada daquela turnê, desculpe. Silvio: Quais são os problemas em lançar DVD’s do King Diamond e Mercyful Fate e por que o Mercyful Fate nunca lançou um álbum duplo ao vivo?
Ole: Até agora ninguém nos ofereceu para lançarmos algo em DVD, estamos esperando uma "sugestão" da Metal Blade Records. O Mercyful Fate simplesmente não considerou gravar um álbum ao vivo, e nenhuma gravadora sugeriu também. Muito ruim. Seria legal ter algo com uma gravação de boa qualidade. Silvio: Ultimamente King tem falado para as revistas brasileiras que ele não tem nenhum lucro com o Mercyful Fate!!! Acho um pouco exagerado por parte dele. Mesmo nos dias de hoje, o “Melissa” e o “Don't Break The Oath” continuam sendo vendidos em muitas lojas ao redor do mundo!
Ole: Bem, é a opinião dele. Silvio: Muitos fãs perguntam sobre o retorno desta maravilhosa banda... e para terminar, este ano eles receberam o Danish Prize!!! Então é claro que o Mercyful Fate continua sendo importante para muitas pessoas, incluindo eu!
Ole: Não vi uma pergunta aqui - mas concordo. Muitos fãs amariam ver o Mercyful Fate de volta à cena. Silvio: Você pode nos descrever como foi a cerimônia na qual a banda recebeu a premiação na Dinamarca?
Ole: Foi igual a outros eventos deste tipo. Eles passaram uma apresentação do que a Roadrunner relançou, anunciaram o preço e chamaram a banda. Não havia outros artistas que poderiam ter ganhado o prêmio, porque era um prêmio de honra. Silvio: Há alguma mínima possibilidade de uma reunião do Mercyful Fate com os membros originais? Kim Ruzz... nos próximos três anos? O que pode nos falar sobre o DVD que poderá ser lançado em 2007?
Ole: Não vejo que acontecerá nenhuma reunião com o Mercyful Fate, mas o DVD ser lançado pela Metal Blade é uma possibilidade para 2007. Pelo menos eles estão sempre falando sobre isso agora.
Silvio: Existe alguma possibilidade de nós da América do Sul vermos o King Diamond em sua próxima turnê?
Ole: Infelizmente não posso dizer que estamos planejando qualquer coisa deste tipo. Tudo o que estamos planejando neste momento é a gravação, mixagem e lançamento do novo álbum. Silvio: Fora King Diamond e Mercyful Fate, com quais outras bandas você trabalha?
Ole: Trabalhei com muitas bandas como freelancer, promotor, empresário de turnês e contador: Hank Marvin, Gary Moore, Patricia Kaas, Alice Cooper, Suzane Vega, Status Quo, Beach Boys, John Mayall, Deep Purple, Gregorian Chanting Monks, Manfred Man, Robert Plant, Uriah Heep, Toto, Saga, Wasp, Marianne Faithful, o show We Are The Champions e o show do ABBA - para mencionar artistas internacionais. E da Dinamarca: Pretty Maids e Cornerstone. Como empresário também trabalho para o Candlemass.
Silvio: Qual deles foi o mais significativo para você?
Ole: Impossível dizer, muitos artistas ótimos. Silvio: O que você costuma fazer quando fica em casa? Você ainda mora na Dinamarca?
Ole: Sim, moro na Dinamarca, mas passo muito tempo em hotéis. Relaxar significa um feriado fora da Dinamarca. Mas também pode ser tomar um café e assistir TV em casa. Talvez um filme. Silvio: Você gosta do Brasil? Porque não passa férias aqui? Qual seu lugar favorito por aqui?
Ole: Gosto de estar no Brasil em turnê, mas é muito longe para passar férias. Também é um pequeno problema eu não falar português. Lembro de Belo Horizonte ser bem legal, mas nenhum lugar com praia é legal. Silvio: Soube que você já trabalhou para o Deep Purple. Falando nisso, você é um headbanger ou só está nesta área pelos negócios?
Ole: Não posso dizer que eu era um headbanger - mas sempre gostei de música ao vivo e de rock em geral. Para ficar claro, eu não trabalhei para o Deep Purple, trabalhei para o promotor que organizou a turnê escandinava deles, e me juntei à turnê para servir a produção e ter certeza de que tudo ocorresse bem nas cidades em que a banda tocaria. Silvio: Quais bandas aprecia? E do que você não gosta musicalmente?
Ole: Algumas das minhas favoritas são Judas Priest e Black Sabbath - mas isto se expande a um número enorme de bandas que você não classificaria de Metal (como o fx Queen), mas é claro que devo citar o Metallica, que eu não era muito fã no começo. O que eu realmente não gosto é grunge, a tão chamada cena Metal de Seattle... mas teriam muitas ainda para citar. Gosto de uma linha melódica, uma batida pra seguir, etc, etc, não só gritos e barulho, o que ouço frequentemente nos dias de hoje. Silvio: Você pode listar os seis álbuns que você mais gosta?
Ole: Seria uma tarefa impossível. Atualmente carrego no meu Ipod 7.800 álbuns e todo dia encontro um álbum legal que eu não lembrava há um bom tempo. Silvio: Suas últimas palavras para os fãs brasileiros, por favor.
Ole: Mais caipirinha. Obrigado.
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