ENTREVISTA COM PETE BLAKK
Exclusiva para o fã-clube
Confira abaixo esta entrevista exclusiva, de 2007, com o ex-guitarrista de King Diamond, Pete Blakk.
Por Silvio MercyDiamond
Tradução por Ghislaine Gemignani
Silvio MercyDiamond: Olá Pete, é um enorme prazer falar com você. De fato, é um grande sonho saber mais sobre você e dar aos fãs do Black Funeral, a chance de conhecê-lo melhor também.
Você pode nos contar mais sobre suas origens, quando e como você começou a tocar instrumentos, sua educação musical, e de onde você é?
Pete Blakk: Eu nasci em uma cidadezinha chamada Bollebygd, mas me mudei para a parte norte da Suécia depois de um ano, ou algo assim. Eu iniciei-me na música quando um amigo meu tocou os discos de seus irmãos para mim, “Master of Reality” e outras gravações de Metal. Acho que eu tinha cerca de 9 anos quando, do lado de fora de uma loja de música, fiquei olhando para os novos amplificadores “Orange”, um pedaço de madeira que era muito usado antigamente pelo Sweet e outras bandas dos anos 70. Imediatamente eu soube que queria tocar música e me tornar um Rock Star.
Meu primeiro considerável avanço mental foi quando o Deep Purple tocou na Suécia em 1974. E meu primeiro concerto do Kiss no mesmo ano. Eu sabia que era isso que eu queria fazer.
Eu não tenho qualquer educação musical. Tudo que sei, eu aprendi copiando outros guitarristas. Penso ainda que meu jeito de tocar não soa como a maioria dos guitarristas mainstream, é porque meu jeito de tocar desenvolveu de modo a não tocar nota por nota. Apareci com meu próprio jeito.
Na verdade comecei tocando bateria, quando conheci meus primeiros companheiros de banda (Trazer). Uma vez eles me ouviram tocando alguns riffs simples e ficaram pirados. Eu disse a eles que eu não era um guitarrista, mas eles não se convenceram. Desde então eu tenho tocado guitarra.
Silvio: Conte-nos sobre suas influências.
Pete: Minhas influências são basicamente dos anos 70, como Black Sabbath, Uriah Heep, Deep Purple, Rainbow, T-Rex, Mick Ranson e coisas assim. Minhas influências na guitarra vem do Blues. Eu aprendi a coisa mais importante através de Billy Gibbons, que é: seu timbre vem de seu vibrato. Leslie West e Ritchie Blackmore foram dois guitarristas que dominaram os anos 70. Um guitarrista que depois se tornou um bom amigo é Snuffy Walden da banda Strayy Dog. Ele agora está fazendo música para shows de TV.
Mais tarde eu comecei a escutar Uli Roth e Michael Schenker e eu diria que minhas influências principais vem de seu modo de tocar. Michael Denner e eu amamos entrar em conversas profundas sobre o modo de tocar do Schenker. Nós admiramos muito ele.
Silvio: Pode nos dizer sobre como você conheceu King Diamond? Quais foram suas primeiras impressões sobre a banda e o papel de King nela?
Pete: Bom, a história por si só daria umas 10 páginas, mas vou abreviá-la. Toquei em uma banda local, na minha cidade natal após o Trazer acabar. Comecei o Chrystal Thanatus e nós conseguimos um acordo com a EMI, mas nós recusamos. Fiz eu mesmo uma reputação por ser um jovem guitarrista (não havia muitas bandas ou guitarristas tocando Metal naquele tempo na Suécia) e tive uma audição com o orgulho sueco no Metal, EF - Band. EF - Band foi uma das primeiras bandas da NWOBHM na Europa e no mundo e bandas como Samson e Def Leppard abriram pra eles.
A banda me deu o emprego, começamos a turnê e a gravar o próximo álbum. Por conta do rumor de eu chegar a Copenhagen, Yenz Cheyenne, um cantor da banda Brats, veio para Gotemburgo e me viu tocando. Ele queria que me juntasse a ele e começasse uma banda com Mikkey Dee. Assim fizemos e o Geisha havia nascido. Eu deixei a EF - Band e me mudei para Copenhagen (um cara chamado Andy La Rocque assumiu a guitarra na Ef - Band). Então em Copenhagen nós começamos a sair com os caras do Mercyful Fate e a festejar por toda a cidade. Eu e Denner viramos realmente grandes amigos. Ambos gostávamos de beber.
Após a turnê nos Estados Unidos, em 1984, Denner, Mikkey e eu estávamos assistindo hóquei na TV quando Denner nos abordou dizendo que o Mercyful Fate estava se separando e King e ele queria que eu e Mikkey nos juntássemos à banda. Seria perfeito. Eu era muito fiel à minha banda Geisha e achei que Denner estava brincando, mas eu disse “não” e achei que Mikkey fosse dizer o mesmo. Mikkey me disse que achava que seria uma boa jogada na carreira e disse que iria se juntar. Eu disse que ficaria na minha banda, mas conhecia um cara que seria perfeito para a banda, pois ele era um grande fã de Mercyful Fate. Um amigo da minha cidade natal e meu guitarrista no Chrystal Thanatus, Floyd Konstantin.
Depois ele foi despedido e novamente me ofereceram o posto, mas eu disse “não, obrigado”. Disse a eles que conhecia um guitarrista que poderia ser bom para o cargo, que ambos, Mikkey e eu, conhecíamos de Gotemburgo. E Andy apareceu em cena. (Nota: Depois eu me arrependi de não ter dito sim para ser um guitarrista do King Diamond na primeira vez que eles me pediram, uma das coisas que eu faria diferente). De qualquer forma, nós tocamos no King, gravamos e fizemos turnê, e assim foi. Lembro-me deles ligando pra mim no meio do verão, e disseram que precisavam de um guitarrista para a turnê americana que estava por vir, e pela terceira vez eu disse não. Eu provavelmente teria dito sim, mas todos os meus colegas de banda estavam nesta festa e tínhamos um novo baterista, Tony Reno, da Europa. Nós ensaiávamos em Copenhagem e continuávamos saindo com os caras do King Diamond, e na véspera de Ano Novo, estava numa festa e King e eu começamos a conversar. Eu disse a ele que ele tinha uma boa banda e eu gostava de sua música. Mas estava faltando uma coisa. “O quê?” ele perguntou. “Eu”, respondi, “como seu guitarrista”. Alguns dias depois eu peguei o serviço e depois de tantos “nãos” eu estava finalmente na banda. Muitos não sabem, mas eu seria o guitarrista original de King Diamond, mas deixei de lado. Andy é um grande cara e ele merecia.
Silvio: O que aconteceu com você depois de gravar o álbum “The Eye”? Por que saiu da banda? Foi devido problemas com a Roadrunner ou algo mais que você possa nos dizer?
Pete: Eu estava em má forma durante a turnê do álbum Conspiracy e estava bebendo mais e mais. Não afetava muito meu modo de tocar, mas minha vida estava numa espiral descendente. Eu tinha um problema com bebida e com drogas, e isto estava me matando. Eu me lembro em Miami, meu coração parou por duas vezes e eu estava provavelmente morto por alguns minutos.
De qualquer forma, a mudança aconteceu quando eu e John Norum estávamos farreando e eu fui preso por dirigir bêbado e lutar com os policiais, e eu tive que escolher entre o tempo de prisão ou uma reabilitação. Fiz minha reabilitação e isto salvou minha vida. Eu nunca soube que tinha um problema. Quer dizer, vinha bebendo desde meus 12 anos e me envolvi em muitas confusões. O bairro em que cresci era dureza, e eu aprendi muitas coisas nas ruas que me ajudaram bastante na vida. De qualquer forma, comecei a ir aos encontros para Alcoólatras e tenho estado limpo e sóbrio por mais de 18 anos.
Então o que aconteceu: a Roadrunner nos largou e o grunge quase matou o Metal. Nós gravamos “The Eye”, mas eu achava que precisava de mais reconhecimento por minhas habilidades musicais, e participar mais na parte de composição. Então comecei minha própria banda Totem, depois Blakk Totem. Mudei-me para Los Angeles de novo e quase assinamos com a RCA. King me ligou e perguntou o que eu andava fazendo, e eu disse que estava com minha própria banda, e foi isto. Eu nunca desisti, mas nós meio que nos afastamos. Oficialmente eu deixei a banda em Janeiro de 1991.
Hoje eu percebo que deveria ter ficado na banda e fazer minhas coisas, mas de qualquer maneira, eu não era esperto assim naquela época.
Silvio: E o que aconteceu com você após ter deixado a banda?
Pete: Como eu disse, eu tive que pegar minha vida de volta e comecei minha própria banda. Alguns anos depois, meu filho nasceu e tive que colocar comida na mesa. Pensei que o meio musical estava de ponta cabeça, e que não havia mais Metal de verdade. Eu iniciei diversos negócios e tive muito sucesso. Vivi uma boa vida por muitos anos e não toquei em minha guitarra por um longo tempo. Fiz um bom dinheiro, dei a maioria para caridade e viajei por todo o mundo com minha família. Foi divertido, tive uma boa vida.
Silvio: Quais bandas você mais ama? Pode nomear os seus 5 álbuns favoritos?
Pete: Há tantas bandas boas e tanta boa música por aí. Mas eu gostaria de colocar “Far Beyond Driven” (Pantera), este é um bom álbum. Ou Eric Gales, um guitarrista que eu gosto de ouvir. Mas eu gosto tanto que é difícil mencionar algo em especial. Eu geralmente pego algo velho da minha coleção de CD’s. Na maioria das vezes é algo com Ozzy, o antigo Halen ou Judas.
5 álbuns, ordem aleatória:
1 – Obsession – UFO & Michael Schenker
2 – Stray Dog – Stray Dog
3 – Sabbath Bloody Sabbath – Black Sabbath
4 – Diary of a Madmen – Ozzy
5 – Diary of a Madmen – Ozzy
Silvio: Nos conte mais sobre o Blakk Totem Band, o que aconteceu com a banda?
Pete: Nós lançamos o álbum “The Secret Place” pela CMC International/Koch. Mas eles foram comprados e provavelmente acabei em algumas caixas num porão. Nós fizemos uma turnê pela Escandinávia, tínhamos ótimas canções e as pessoas gostaram, mas os tempos eram difíceis para o Metal.
Silvio: Nos conte como Snowy Shaw convidou você para gravar “Black Birthday (Hip Hip Hooray)” no seu álbum Notre Dame?
Pete: Eu conheci Snowy na cidade e ele perguntou se eu gostaria de gravar um solo ou dois. Eu apareci de terno e gravata para um encontro de negócios e gravei um solo. Eu nunca ouvi o produto finalizado. Snowy nunca me deu uma cópia.
Silvio: Qual foi o show mais fantástico que você nunca irá esquecer? E nos diga uma situação realmente embaraçosa que você encarou em sua carreira?
Pete: Eu não acho que sou esperto o suficiente para ficar embaraçado. Mas num show naquele clube que pegou fogo, em Rhode Island, na turnê do álbum “Them”, eu tinha minha calça de pele de cobra que rasgou bem na dobra, e eu não vestia nada sob minhas roupas de palco. É, você pode imaginar o resto. Meu técnico de guitarra teve que passar “silver tape” em mim para este show.
Silvio: Qual o álbum de King que você considera sua obra de arte, falando em performance, e qual foi o mais difícil de fazer?
Pete: Eu amo todos os álbuns que fizemos. O meu favorito é o “Conspiracy”. King está cantando de forma fantástica e o trabalho guitarra que eu e Andy fizemos é muito bom. Boas músicas e realmente um grande álbum.
Silvio: Você pode nos dizer sobre o show em Copenhagen no qual Denner, Hank e Timi tocam com a banda? Foi durante a turnê do álbum “Conspiracy”, certo?
Pete: Não há muito a dizer, nós nos divertimos, eles subiram no palco e foi um momento fantástico.
Silvio: Quando você decidiu deixar a Suécia e se mudar para os Estados Unidos? E por quê?
Pete: Gosto de sol e não há muito disso na Suécia. Eu amo os Estados Unidos, e a Flórida é um lugar especial para nós. Talvez eu devesse mudar para o Brasil, vocês têm muito sol por aí.
Silvio: Você sabe algo sobre a música brasileira? Se sim, quais bandas você gosta atualmente?
Pete: Eu não sei muito sobre o Brasil e sobre sua música. Sepultura, samba e futebol. Vocês são ótimos no futebol. Me lembro como um garoto assistindo Rivelino, Pelé e Jair, uns dos meus preferidos de todos os tempos.
Silvio: Você ainda acompanha a carreira de King ? Gosta dos álbuns que ele fez depois que você deixou a banda? Se sim, quais você gosta? Você gosta do Mercyful Fate? Você costuma falar com King, Andy ou até mesmo com Ole Bang hoje em dia? Você mantém contato com os integrantes ou ex-integrantes do King Diamond ou do Mercyful Fate nos dias de hoje?
Pete: Não falo com King há uns 18 anos, mas amaria encontrá-lo e dizer que devíamos colocar a formação do álbum “Them” junta e fazer uma turnê mundial, isto seria um sucesso total.
Silvio: Seu nome verdadeiro é Peter Jacobson? E porque Pete Blakk?
Pete: Meu nome é Pete Blakk registrado, como marca comercial, mas nasci Sunden. Minha mãe era casada com um Jacobson.
Silvio: Porque é tão difícil de encontrar o álbum do Blakk Totem, “The Secret Place”? Você pode nos dizer mais sobre a gravação deste álbum?
Pete: Há alguns sons matadores nesse álbum. “Borderline Tribe”, “Had Enough of You”, “Blooddrained”, “We’re not fools” e “Bakk of Beyond”, são meus favoritos.
Posso conseguir uma cópia se desejar.
Silvio: A banda Geisha é bastante importante para a história de King Diamond, desde que Mikkey Dee, Floyd Konstantin, “a guitarra antes de Andy”, e até mesmo Hal Patino, foram membros desta banda. Pode nos contar sobre a participação de cada um deles na banda?
Pete: Eu e Mikkey começamos a banda juntamente com Yenz Cheynne em 83-84. Nós fizemos uma demo que foi bem recebida na imprensa Metal, e Dante Bonutto nos tinha em sua playlist. Fizemos um acordo com a Island Records, mas infelizmente eles saíram do ramo.
Floyd nunca foi da banda. Hal juntou-se em 86, ele é um baixista fantástico e meu melhor camarada, realmente passamos por muita coisa juntos. Nos divertimos muito sempre.
Silvio: E o que pode nos dizer sobre a banda Trazer? Que tipo de som a banda costumava tocar? Há algum registro disso?
Pete: Trazer foi uma das primeiras bandas de Metal da Suécia. Nós gravamos um EP, que lá por volta de 79 foi lançado por um pequeno selo, mas nada aconteceu. As músicas eram “Street Fighting Man” e “Bad Reason”. Os outros integrantes queriam fazer outras coisas além de música, foi quando eu decidi continuar e inicialmente criei o Chrystal Thanatus, e logo depois consegui o show com a EF-Band.
Silvio: Nos conte sobre a nova banda Disasterpeace, é uma banda ou só um projeto? Como você encontrou os integrantes? Conte-nos sobre a gravação que está fazendo agora, como as coisas estão indo no estúdio? Quando o álbum será lançado?
Pete: Disasterpiece é a melhor coisa desde os dias de “Them”, com King. Acho que nós estamos partindo de onde paramos depois de “The Eye”. É uma continuação do que fizemos, de um novo modo, em 2008. Mas acho que não escrevi tantas boas músicas desde os dias de King Diamond. E estou orgulhoso da banda. O vocalista Wade tem tamanha voz, ele pode fazer os graves e os agudos, ele é fantástico. Estou satisfeito com meu jeito de tocar, na verdade, soa melhor que nunca. Apenas escute “The Scarecrow” ou “Judas Witch”.
Estamos fazendo a pré-produção, e ela pode ser ouvida pelo site http://www.myspace.com/DISASTERPEACEusa ou no meu site http://www.myspace.com/Blakktotem. Para todos os fãs de Diamond, sei que vocês irão adorar e é pra vocês e por sua causa que as músicas tem achado seu caminho.
Estamos negociando com alguns selos para um lançamento. A única coisa que pode me afastar do Disasterpeace é se colocarmos a formação do álbum “Them” junta e fizéssemos uma turnê, mesmo se Mikkey não topasse e nem Snowy.
Silvio: Além da nova banda, nos diga o que Pete Blakk tem feito nos dias de hoje. Tem filhos? Está jogando hockey? Pode nos dizer sobre suas paixões, como guitarras, NASCAR, armas, etc? Falando nisso, alguma vez gravou com algum outro artista, com diferentes estilos ou algo próximo a um músico de estúdio, ou algo assim?
Pete: Como eu disse, eu tenho vivido uma boa vida, tive a chance de ajudar muitas pessoas e me divertir, sendo privilegiado com muito tempo e boa saúde.
E dois garotos que amo e são uma benção em minha vida.
Adoro assistir corridas de Formula Indy, Top Fuel, campeonatos NHRA (corridas e campeonatos de diversos tipos de corrida em geral).
Tenho treinado meu filho no hockey e assistindo ele se tornar um grande goleador.
Adoro colecionar guitarras e tiro a distância, sou viciado em qualquer coisa com poder e beleza.
Silvio: Suas últimas palavras para todos os fãs brasileiros pela América do Sul que aguardam vê-lo desde o álbum “The Eye”, quando pela primeira vez os rumores sobre uma turnê Sul Americana iniciaram-se. Por favor, este espaço é para você.
Pete: Adoraria tocar pra vocês, se King mudar de idéia, vamos reinar na cena Metal novamente. Então para todos os caras no Brasil e na América Latina, Blakk está de volta, e estou indo para aí com o King ou com o Disasterpeace, pra mim não importa.
Stay Blakk e Heavy
Pete Blakk |